domingo, 14 de dezembro de 2008

Ausência


Acordou cedo com o cantar dos canários na janela, o dia não chegou nublado. Um sorriso está no rosto, parece que teve um sonho bom. A expressão muda derrepente como se despertasse daquele sonho. Levanta rápido e olha ao lado. Não tem ninguém. Lembra que há muito tempo não tem mais ninguém ali.
Mais um dia vivendo, como tantos outros foram vividos. Vida vegetativa sem brilho ou movimento. Deixa-se de viver quando não se tem sonhos ou esperanças, sabia disso e existia ali, permanecia todos os dias.
Saiu para o trabalho, que era quase um favor. Falsos colegas, falsos sorrisos, falsa dignidade. Casa vazia, dinheiro pouco, alegria nenhuma, coração na metade só para bombear o sangue que era sujo. Vergonha na cara, consciência pesada. tesouro perdido. Preguiça, apatia.
Sem emoção voltava pra casa, uma parada pra comprar o pão, única comida causa da aparência anémica. Na esquina para, olha para os lados esperando o sinal abrir. Um carro passa com uma pessoa observando, devagar. Reconhece, o coração acelera, frio, desmaia.
(...)
-Então Doutor?
-Óbito.



04/12/2008

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