
Não, não é por contar-lhes a história que sei tudo sobre ela, sei muito pouco confesso, a história não foi comigo oras! Sei do que observei nestes tempos. Mas mesmo assim, a Helena, apesar de ter apenas assistido comigo, sempre a conta melhor do que eu.
Ela usa melhor as palavras, fala de detalhes que eu sempre me esqueço. nunca fui de falar de detalhes. mas Helena conta e descreve cada mindinho de trecho da história, daquela historia que eu estou querendo contar, mas nem sei como começar.
Primeiro, não acreditem em tudo que eu escrever, eu sempre exagero um pouco. ok. Confesso que as vezes exagero muito, mas é inevitável dar aquela emoção a história, aquela fantasia. Fica mais bonita. Concorde comigo qnd disser alguma coisa, assim eu me sinto mais segura a continuar a narrar.
Ei eu sei que ainda não comecei, mas eu estou me preparando. É difícil falar dos outros, ainda mais quando é alguém que você quer muito bem.
Ela era tão doce, não é? Concorde comigo qnd digo assim.
Ela sempre falava que adorava andar na chuva, mas eu não, porque meu cabelo fica horrível, então ela saia sozinha e chegava molhada, mas sempre feliz. Parece que a chuva lhe lavava a alma. Era sempre bonita aquela cena. Ela saía sozinha, e triste, e voltava três anos mais moça sem aquela sombra nos olhos que sempre estava por trás daquelas montanhas esverdeadas que eram seus olhos.
Uma vez ela me disse que seu maior sonho era voar. Sei que muitas pessoas tem esse sonho, mas o dela era maior, tão maior que um dia tentou. Pulou do segundo andar. Disseram que ela tentou se matar, mas na verdade queria era voar. Ela sempre acreditou em mágica, ficava horas concentrada tentando mexer copos, nunca conseguiu é verdade, mas achava que era falta de concentração. No dia que ela tentou voar, voltou com as asas quebradas e eu fiquei tremente pensando que seu sonho ia acabar. Não, eu não alimentava nela essas esperanças, mas ver sonhos morrerem sempre me dói muito.
Outro dia vi ela saindo ao entardecer, dizendo que precisava muito ver o por do sol, ouvi-a dizer que precisava ir sozinha, que tinha de pensar e que o alaranjado misturado com o roxo do por-do-sol e a solidão sempre a ajudavam a por as coisas em ordem, dentro daquela mente conturbada que tinha.
Uma amiga minha nunca gostou muito de ficar em sua companhia, dizia que a moça era muito densa, emanava muitas energias. Ela concordava que as energias eram boas muitas das vezes, mas a excentricidade daquela lhe assustava. Era Helena que me acompanhava todas as vezes que íamos visitá-la, ela nos cantava historias, nos mostrava muitas que tinha escrito, em todas falavam de luzes, magia, fadas... Ela era mística.
Também nunca teve um namorado, mas em suas historias sempre havia um príncipe e o final era feliz em quase todas. Quase porque em uma história dela, a fada de chocolate que salvou todas as crianças do destino horrível de comer verduras amargas pro resto da vida, foi comida por um adulto amargo, mas depois que ele comeu a fadinha de chocolate ficou tão doce que suas empresas baixaram o preço do chocolate - o bom chocolate. O fim da história foi triste porque a fadinha se sacrificou, pelo bem da humanidade infantil, claro. Mas ela morreu, e o pior em suas histórias foi isso.
Ela era linda - a menina - bochechas rosadas, cabelos castanhos quase loiros, dos olhos já lhes contei, as montanhas gramadas mais lindas que já vi, e tinha uma profundidade oceano. Mas ela escondia muita coisa ali, as únicas pessoas que ela conversava, eram seus pais, eu e Helena. Um dia sua mãe nos pediu para tentar fazer ela falar mais, com outras pessoas, incluir ela em rodas..
Foi o que tentamos fazer, chamamos ela pra sair com a turma do colégio, no inicio ela ficava ainda mais vermelha, falava menos que o normal, até que alguma coisa dentro dela mudou e ela começou a se soltar a falar, nunca como ela falava comigo e Helena, nunca falou de suas histórias, sonhos, crenças...
Foi fazendo amigos, conquistando a todos, se mostrando a garota que todos adorariam ter como amiga, animada, bonita, engraçada, mas suas histórias foram deixadas de lado, seus sonhos se perderam no caminho, suas crenças esquecidas, suas fadas nunca mais salvaram criança alguma. A moça sonhadora estava sumindo no meio da nova moça de alegrias mil.
Inesperadamente ela sumiu das rodas de amigos, o telefone de sua casa não parava do tocar, é assim com pessoas muito queridas.
Fui com Helena visitá-la, arriscar, porque ela não atendia a mais ninguém. Ela nos abriu a porta do quarto, estava rodeada de folhas escritas e rasgadas, emboladas, chorando muito e dizendo que suas fadas pediam pra viver novamente mas ela não conseguia ressuscitá-las. As luzes pareciam todas apagadas, suas montanhas perderam os gramados.
Ela estava louca atrás de seus sonhos, atrás da sua magia, queria recuperar tudo o que perdeu, não nos culpou por nada, por sermos eu e Helena que a levamos para o "mundo" normal e que corrompe. Ela era boa demais pra nos culpar, a velha moça tinha voltado, mas ela queria mais..
Correu atrás de sua essência, queria sua magia e tentou mais uma vez voar. Pulou do quarto andar e dessa vez conseguiu, voou para bem longe e nunca mais voltou, ela achou sua magia.
E todos choraram por isso.
Lorena.
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