E o menino correu pra casa depois da aula, tentando chegar o mais rápido possível, disposto a fazer o que tinha determinado a si próprio na escola, quando a professora de Artes explicou mais que a respeito de desenhos, colagens e criatividade.
Ficou sozinho em seu quarto a tarde inteira trancafiado... fazendo com que folhas de papéis ganhassem fins mais poéticos.
Só saiu de lá quando o sol finalmente despedia-se do céu e descendo a escada velozmente mostrou para a sua mãe, dizendo:
- Mãe, olha o que a tia ensinou lá na escola. É uma dobradura. Isso é uma ave do paraíso.
A mãe observou a pequena criatura feita de dobradura em tom lilás desbotado nas mãos de seu filho ruivo e falou:
- Tu és um verdadeiro artista, querido.
O menino então olhou mais uma vez o passarinho pousado em sua mão direita e disse:
- Preciso de mais folhas, mãe. Ainda faltam 999.
A mãe alardeada procrastinou:
- Mas a tua professora está passando dos limites.
O menino então tentou tranqüilizar a mãe:
- Não, mãe. Não foi a profe. Ela apenas explicou que depois de 1.000 pássaros feitos, conta a lenda que alcançamos um desejo.
A mãe, mais calma, afirmou:
- Filho, não precisas torturar teus dedinhos com isso tudo.
E o rapazinho obstinado e inconformado respondeu:
- Não dá mãe. Eu tenho pressa de ficar com a minha menina loira.
A mãe calou-se.
O amor, ela sabia, não tem hora certa para começar.
Natália Anson Lima.
Natália Anson Lima.
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