domingo, 6 de janeiro de 2008

Insólito azul

Então os adultos puseram os pés no chão, e não conseguindo mais alcançar o azul do sonho, constuiram prédios, e arranha-céus. Mas o céu, feito da matéria insólita dos sonhos infantis, não se arranha. Nunca.
Então os adultos puseram suas esperanças nas crianças, mas ensinaram a elas geografia, história, matemática, gramática. E ensinaram a elas a desenhar chapéus, em vez de jibóias vistas de dentro e de fora.
E como a busca pelo azul do sonho não cessasse, construiram telescópios para ver o céu. Mas, cegos, o enxergam negro. E para consolo encontram as estrelas - que, em vez de existirem simplesmente por brilharem, ganharam números e nomes. Como a terra debaixo do azul que não enxergam, e como as casas umas em cima das outras que constroem. E as pessoas ganham também números e nomes, sem nunca se aperceberem que, apesar desta uma pífia característica em comum atribuída às estrelas, têm aquelas também a exultante graça de brilharem.
Mas os adultos são incapazes de enchergar o próprio brilho. E o dos outros. E o das estrelas. Incapazes de perceber que melhor que arranhar o céu, seria construir seu azul. Insolitamente sólido. Para quem o alcançar

[não sei da autoria =( ]

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